Quem é você, Alasca? primeiramente me intrigou, positivamente digo, por seu título com um ar de mistério (na versão brasileira, pois o título original é Looking for Alaska, mas ainda assim, não perde tanto o ar misterioso). Uma das coisas que vieram na minha cabeça quando li o título do livro, foi a famosa pergunta filosófica: Quem somos? De onde viemos? E para onde vamos? Sei que isso não tem nada a ver com o enredo da história, mas continuemos: Milênios se passaram e ninguém chegou à conclusão alguma para essa pergunta filosófica, e tirando o fato de que, quando nos aventuramos em descobrir “Quem é você? Quem sou eu?”, no sentido mais profundo da palavra, não chegamos mesmo à uma resposta concreta além do óbvio, pois o ser humano vive em constante mudança, não sabendo identificar direito o que há em seu interior além do físico. E foi assim que me vi, saindo em busca de um grande talvez. Afinal, quem era Alasca, de onde ela veio e para onde irá?


O livro, Quem é você, Alasca?, é narrado por Miles Halter, um adolescente como qualquer outro, inteligente, solitário e incerto com sua nova fase de vida, mas o que o diferencia dos outros é sua fascinação extrema pelas célebres últimas palavras, ele as coleciona, todas elas se possível. Cansado da monotonia do lugar onde mora e consequentemente, onde estuda, Miles decide que quer ter uma nova experiência e fazer com que as últimas palavras de François Rabelais se tornem uma realidade para ele: Sair em busca de um Grande Talvez.

Após convencer seus pais o matricular em um Colégio Interno, o mesmo em que seu pai se formou, Culver Creek - internato famoso por seus grandes trotes constantes entre os alunos - Miles se vê diante do presente agora em suas mãos, receoso e um tanto desgostoso com isso, ele cria uma determinação para enfrentar o dia a dia. Pois de uma coisa que ele se atreveria a ter certeza é que, não descobriria seu Grande Talvez ficando parado no mesmo lugar, vivendo em uma inércia previsível.

O primeiro dia no Colégio aconteceu uma coisa que Miles menos esperava: fazer amizade. O garoto prontamente conhece seu parceiro de quarto, Chip, um baixinho equivocado mais conhecido como Coronel. Apesar das diferenças, ambos inesperadamente criam um laço de amizade forte, e com isso, Miles ganhou um apelido - com uma boa intenção, porém super contraditório: Gordo. Coronel apresenta à Miles/Gordo, uma garota bonita, do tipo que qualquer um se apaixonaria logo de cara sem mais nem menos: Alasca Young. A garota possui em seu íntimo um ar misterioso, enigmático e imprevisível, instigando assim a curiosidade de Miles em conhecê-la de verdade.

Não sabia se podia confiar nela e já estava cansado de sua imprevisibilidade – fria num dia, meiga no outro; irresistivelmente sedutora num momento e insuportavelmente chata no outro.

Além do trio recém formado, somos apresentados a mais dois personagens cativantes e que ajudam no desenvolvimento da trama: Takumi e Lara. Juntos, os adolescentes vivem em seu mundinho próprio que consistem de festas, bebidas, cigarros, namoros e desejos sexuais. Vendo assim, se parece com um filme americano monótono qualquer, retratando a realidade da grande maioria dos adolescentes de hoje em dia, mas como esperado, John Green não desperdiçaria seu talento tão fácil assim.

As últimas palavras de Simón Bolívar, “Como sairei deste labirinto?” acompanha o leitor no decorrer do livro do todo. Os personagens, por mais que alguns deles não percebam, estão sempre em busca de uma resposta para tal pergunta. Em meio à toda festeira jovem, é inegável que quem rouba toda a cena é a Alasca, deixando a história à mercê de seu humor e espírito jovem. Dando início a um drama e suspense que conquista facilmente os leitores.

Quando os adultos dizem: “Os adolescentes se acham invencíveis”, com aquele sorriso malicioso e idiota estampado na cara, eles não sabem quanto estão certos. Não devemos perder a esperança, pois jamais seremos irremediavelmente feridos. Pensamos que somos invencíveis porque realmente somos. Não nascemos, nem morremos. Como toda energia, nós simplesmente mudamos de forma, de tamanho e de manifestação. Os adultos se esquecem disso quando envelhecem. Ficam com medo de perder e de fracassar. Mas essa parte que é maior do que a soma das partes não tem começo e não tem fim, e, portanto, não pode falhar.

A cada capítulo, o leitor aprende o que se passa na cabeça dos jovens, seguidos de lições importantíssimas. Um dos pontos fortes da obra é o uso do vocabulário pubescente e, de gírias com a inclusão de piadas críticas, inteligentes e sarcásticas de Green, que se encaixaram perfeitamente nos personagens, isso sem falar no modo em que o autor trabalha nas personalidades deles, sendo digna de reconhecimento. E também, é perceptível que houve toda uma pesquisa para descrever a cultura da Flórida, e até mesmo da Índia.


O uso de metáforas para compor Quem é você, Alasca? é perfeito, principalmente nas partes em que retratam o amor e carinho humano, e junto com os personagens, nos estimulam a refletir sobre o sentido da vida e do ato de viver, criando um ar totalmente poético. E isso faz muita diferença dentro da história, fazendo de um livro comum passar a ser único.

O que significa ser uma pessoa? Como passamos a existir e o que será de nós quando deixarmos de existir? Em suma: quais são as regras deste jogo e qual é a melhor maneira de jogá-lo?

As emoções e segredos dos personagens inconstantemente assombrosos e, mais a jogada de escrita de John Green, fatos esses que, conduzem a obra de um jeito magistral. Um dos personagens inesperadamente acaba achando uma resposta para a tão presente pergunta de Simón Bolívar, mas de um jeito que irá surpreender os leitores, sendo talvez, capaz de quebrar corações.


O livro é dividido em duas partes, sendo a Primeira o “Antes”, com uma contagem regressiva para algo que aconteceu no dia 0, e a Segunda parte é o "Depois", que relata os fatos ocorrido depois do dia 0. Quanto ao exemplar da Editora WMF Martins Fontes, está impecável. As páginas são amareladas, grossas e possuem uma fonte de letra padrão. A capa, para mim é uma novidade, ela tem um aspecto emborrachado. Alguns reclamaram por ela marcar as digitais e deixar resquícios de suor, mas eu não tive problemas com isso, particularmente fiquei apaixonada pela simplicidade da capa. Para quem procura um livro com várias frases de efeitos e, onde o final não acaba com felizes para sempre, Quem é você, Alasca? é uma boa, e maravilhosa, opção para se ter na estante.

Tantos de nós teríamos de conviver com coisas feitas e deixadas por fazer naquele dia. Coisas que terminaram mal, coisas que pareceram normais na hora, porque não tínhamos como prever o futuro. Se ao menos conseguíssemos enxergar a infinita cadeia de consequências que resultariam das nossas pequenas decisões. Mas só percebemos tarde demais, quando perceber é inútil.

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Um Comentário

  1. Eu amo os livros do John Green e adoro ver milhares e milhares de resenhas feitas por outras pessoas na internet ;) Que bom que gostou do livro, esse é um dos meus livros favoritos do João verde kk e não, não acho cliche '-', mas se cliche quer dizer que o livro é meio tipo:adolescentes chatos fazendo 'adolescentizices', sim, eu achei muito cliche, porém odeio essa palavra cliche, se é um livro de adolescente '-' com certeza, a coisa tem que ser cliche kk, porém, a única coisa que eu odeio nos livros de Green, é que todos tem que ser terrivelmente nerds , odeio pessoas nerds, mas isso dá um agrado legal no livro, não sei "por quê". Até!!

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